Sobre o tempo da criança e as neuroses da mãe

054Eu sou pedagoga, acho que todo mundo sabe. Como loucura pouca é bobagem, sou habilitada em educação especial. Na faculdade, eu aprendi sobre marcos de desenvolvimento, sobre a média de idade em que cada coisinha na vida de uma criança deve acontecer. Quando alguns reflexos têm que desaparecer, quando outros têm que surgir; quando e como acontece cada coisa. Junto disso, aprendi também que essa média é só uma média. Que algumas crianças fazem algumas coisas antes, que outras fazem depois.
Laura andou com 1 ano e 3 meses. Bebês que nasceram na mesma época andaram com 11 meses. Outros andaram com mais de 1 ano e meio. Mas foi no tempo dela e foi tudo bem.
Luísa tem 1 ano, 3 meses e alguns dias. E não anda. Ela tem uma prima de segundo grau, um dia mais velha que ela que anda a algum tempo. Elas não convivem, mas sabemos das conquistas da pequena Katarina pelo Facebook e nos alegramos com cada uma delas. Mas as pessoas comparam. E de tanto compararem, eu comparo também. Daí entra a neurose. Que não tem razão de ser, eu sei.
Meu lado racional, quase relax, diz que ela não vai engatinhar para sempre. E mesmo que engatinhe, o importante é chegar, né?  Mas meu lado neurótica se pergunta: “porque filho de fulana anda e a minha menina não anda?” ou ainda, expressa a bobeira que eu disse pra minha mãe hoje no carro “vou fazer um intensivão esse final de semana pra Luísa aprender a andar”. Dããã. Ela vai andar na hora dela.
E, por enquanto, deixo ela aproveitar seus últimos dias de quadrúpede. Uma linda quadrúpede.

Pré-adolescente

preadComo mãe de duas meninas, posso dizer que depois de algum tempo a gente acostuma com a demanda de duas crianças. Uma nova rotina se instala, coisas de bebê já não são novidade, e o terrível comçeo de uma vida com duas crianças de idades próximas deixa de ser tão terrível assim.

Novidade mesmo passou a ser a Laura e tudo o que vem com a idade em que ela se encontra.

Laura sempre foi uma menina bastante geniosa, mas era algo contornável. Não era respondona, apesar de querer a todo custo fazer as coisas à sua maneira. Mas chegaram junto com os quatro anos uma independência e um espírito desafiador que me desestabilizaram.

Para tudo ela tem uma resposta, nem sempre elogiosa. Depois de cada uma das milhares de vezes que é preciso chamar a sua atenção, eu escuto: “mas mãe…”. Cadê aquela criatura doce que me chamava de mamãe até pouco tempo? Outro dia, depois de pedir pela 17° vez que ela calçasse os tênis para podermos sair, ela me olhou com os olhos marejados e me perguntou, ofendidíssima: “porque você briga comigo e faz essa cara pra mim todos os dias?”. Aliás, perguntar: “por que você está com essa cara?” já virou chavão aqui em casa.

Minha avó fala que, no tempo dela, os recém-nascidos demoravam uma semana para abrir os olhos e que, daqui a pouco, vão nascer falando. Para mim, a característica mais marcante dessa geração é essa antecipação absurda da pré-adolescência. O que acham?

Imagem daqui.

Segunda filha

segunda filhaQuando a Laura nasceu, eu e o Max resolvemos fazer aquele acompanhamento mensal com fotos das quais ela vai morrer de vergonha quando for adolescente. Eu ia todo mês, durante 12 meses, no estúdio tirar fotos da minha menina. Tem ela de joaninha, de borboleta, numa concha, numa bicicletinha. Fizemos um álbum lindo (que ela rasgou - ainda bem que consegui salvar as fotos).

Luísa nasceu e resolvemos fazer o mesmo, dessa vez com uma fotógrafa amiga de um casal de amigos nossos, porque as fotógrafas do estúdio onde fizemos as fotos da Laura não eram lá muito simpáticas. Eu fui todos os meses, até o 10° mês. Quando eu percebi, já tinha pulado o 11° mês. Eo 12° também. Quando eu percebi a besteira estava feita.

Fui hoje corrigir esse grave erro e garantir que minha caçula tenha, assim como a mais velha, 24 fotos no seu álbum. E quando ela for adolescente e implorar para eu não mostrar essas fotos ao pretendente dela, eu a chantageio pedindo para ela nunca mais jogar na minha cara que eu esqueci de tirar as fotos dela por 2 meses.

Imagem daqui.

Blogagem coletiva: O que eu realmente gostaria de ganhar no Dia das Mães

Minhas meninas, vocês são o que eu tenho de mais precioso na minha vida.  Sonhei com vocês toda a minha vida, hoje vocês são esse sonho concretizado e realizado todos os dias. Por isso, o quero nesse e em todos os outros dias das mães é:

Continuar a vê-las crescendo com saúde, com alegria, e com a curiosidade e vontade de conhecer as coisas que só as crianças possuem. 

Que vocês sejam meninas de bem, que respeitem o próximo, que ajudem, da maneira que for possível, as pessoas que cruzarem seus caminhos.

Que além de irmãs vocês sejam amigas. Que contem uma com a outra. Que dividam o quarto, alguns sonhos, segredos.

Que nunca tenham dúvida de que eu e o seu pai estaremos sempre ao lado de vocês. Nem que seja para começar outro caminho, de outro jeito.

Que respeitem os mais velhos.

Que cuidem da sua saúde.

Que estudem muito, para terem oportunidade de seguir o caminho que escolherem, qualquer que seja ele.

Que acreditem em Deus, e se alegrem Nele, pois nos momentos de dúvida ou temor, grande parte da força que irão precisar estará na fé que vocês tem.

E que sejam felizes, muito. Minha felicidade só é completa se vocês estão felizes. 

Faxineira

faxineira

Preciso contar que estou de faxineira nova. E outro dia, indo buscar a Laura na escola, fiz uma retrospectiva de todo mundo que passou pela minha humilde residência (sai desse corpo, Michel Teló).

Funcionária #1: Ia 3 vezes por semana, no período da tarde. Era muito boa, silenciosa, como eu gosto. Me tratava muito bem, fiquei mal acostumada . Eu chegava do trabalho e tinha sempre uma comidinha gostosa me esperando. Nunca comi uma torta de frango como a dela. Saiu porque o patrão oficial dobrou o salário para ela ficar o dia todo com ele. Egoísta, ele.

Funcionária #2: Ia um dia fazer faxina e um dia passar a roupa. Tinha uma mania bizarra de tentar calçar meus sapatos quando eu ia sair. Comecei a desconfiar da sanidade mental dela quando acordei uma bela manhã e ela estava sentada na minha cama me olhando. Saiu porque deu piti de ciúme quando a Laura nasceu.

Funcionária #3: Era pra ir 3 vezes por semana. Pediu adiantamento no primeiro dia. Faltou dois dias na segunda semana. Um belo dia me ligou dizendo que não ia mais.

Funcionária #4: O erro que eu nunca quis ter cometido. Conhecida e amiga da família, precisando de trabalho. Ia todos os dias, pela manhã. Saiu porque foi inevitável misturar as estações.

Funcionária #5: Ia três vezes na semana. Era ótima. Andava de motoca com a Laura no apartamento. Ficou quase um ano comigo. Saiu porque arrumou um emprego melhor. Morro de saudade.

Funcionária #6: Ia todos os dias. A única que cozinhava. Foi embora depois que achei sujeira de pelo menos uma semana embaixo do armário. Me chamou de dondoca. Durou 10 dias.

Funcionária #7: Ia todos os dias. Era muito boa. Meio avoada, mas dava conta do recado. Começou a faltar sem avisar, eu estava no início da gravidez da Luísa, precisava de alguém em quem pudesse contar.

Funcionária #8: Ia todos os dias. Mas não deu conta nem do básico. Eu tinha que refazer tudo. O auge foi acordar enjoadíssima pra repassar roupa de trabalho do marido, porque ela não sabia passar roupa, mesmo depois que eu ensinei. E olha que marido trabalha de camiseta polo. Durou um mês. Rendeu muita dor de cabeça.

Funcionária #9: Levei gato por lebre. Foi funcionária da minha avó quando eu tinha um 10 anos. Pediu para ir trabalhar comigo pois estava cansada do outro emprego. Ia durante semana, exceto às quintas, meio período. Por duas vezes encontrei com ela na rua no horário que ela deveria estar em casa. Começou a abusar no meu repouso, no final da gravidez, pois eu não ficava em casa. Ligava pra minha mãe pra tentar resolver coisas práticas da minha casa. O auge foi sair cedo todas as sextas, pois ela tinha faxina em outro lugar. Dei as férias, disse que no retorno conversaríamos sobre o horário. Ela pediu a conta.

Depois disso eu fiquei com uma faxineira e uma passadeira que eu levava e buscava. Até chegar a...

Funcionária #10: Não vou falar. Vai que dá azar!

Imagem daqui.

 

P.S. importante, mas que não tem nada a ver com o assunto do post: O Blogger sumiu com todas as imagens do blog. Como eu não ia conseguir recolocar todas as fotos das postagens (algumas eu nem sei por onde andam), eu pedi ajuda pra Raquel, de novo, ela arrumou aqui pra mim, e colocou as postagens antigas (sem imagens, que tristeza) neste blog.

Se conselho fosse bom…

… eu pedia. Sério. Sou um ser humano inseguro por natureza e tenho uma forte tendência a achar que tudo o que eu faço poderia ser melhor ou diferente.

Eu também penso que, disfarçado de boas intenções, um simples conselho diz: “o meu jeito é melhor” ou “você não faz isso muito bem”.

Quando alguém nota que uma das meninas não está bem, e pergunta o que há, eu respondo. Eu respeito a curiosidade alheia, venha ela de onde vier. Mas me mata a pergunta: “você já medicou? Levou ao médico? fez exames?”, como se eu curtisse ver uma das minhas filhas doente. Posso não ter corrido ao PS, enchido de remédios, feito mil exames. no segundo filho, principalmente, a gente aprende a observar mais. Mas nem por isso deixo de prestar atenção. De cuidar. E a simples insinuação de que não cuido, de que não estou atenta ao que acontece, me fere de morte.

Sou cuidadosa ao dar conselhos, mesmo porque tenho uma percepção diferente de algumas coisas, e alguns termos desse contrato mãe-filho, iniciado ainda na barriga, não são negociáveis. Para mim.

Que mãe nunca praguejou silenciosamente ante um pitaco?

Alimentação, sono, limites deveriam constar naquele ditado “religião, política e futebol não se discutem”.

 

ps. (que deveria ser escrito em letras garrafais): isto não é uma indireta!